Hoje é dia do amigo, e como não poderia deixar de ser, dê um alô, envie um e-mail, dê um aperto de mão, faça um sinal de fumaça pra seu amigo ver que você está alí e que se ele precisar, saiba que pode contar com você.

Ter a consciência da amizade é uma virtude e quem a tem, tem reconhecido dentro de si um tipo de amor que é diferente do amor que se sente pelo sexo opsto. É um tipo de amor sem compromisso, muito verdadeiro e que dispensa a presença do outro. A amizade deve ser vista como um bem válido em sim mesmo, ainda que na sua origem esteja a utilidade. Nos conforta saber que nossos amigos nos ajudarão sempre que precisarmos.

Um abraço, e Feliz dia do Amigo!

Carlos Frederico Bastarz.

Bem, durante alguns anos acumulei várias experiências sonoras, muitas delas (as melhores) com meus amigos Marco Aurélio e Rodrigo, muito embora eu e Rodrigo não tivéramos muitas oportunidades para tal. Fato é que estas experiências renderam uma série de músicas, sons, letras e canções que, à medida do possível, postarei aqui como uma nova forma de tornar a experiência de quem lê os poemas, as poesias e as reflexões deste blog, mais interessantes.

Como não preparei nada escrito para este teste inicial, postarei apenas um som que extraí do meu violão. Não prometo gravações incríveis e profissionais, apenas algo em carater artesanal. Coisa com a qual estou muito acostumado.

A gravação foi feita com o meu celular e por isso não está muito boa, mas vale a tentativa. Para começar a ouvir, basta pressionar o botão play abaixo:

Nas próximas oportunidades, me esforçarei para fazer algo com uma qualidade melhor. Ah, não se preocupe, pois postarei “barulhinhos” (escute primeiro para ver o que é) de violão. Assim, quando se lê o post, não se perde atenção com a música. Eu gosto desse tipo de experiência.

Abraços,

Carlos Frederico.

Você sabe qual é o seu lugar no mundo?

Muitas vezes me pergunto qual é o meu lugar no mundo, qual é o propósito da minha vida. Vejo, muitas vezes, pessoas próximas com as mesmas questões. Na televisão pouco dizem sobre isso e, não sempre, as respostas que obtenho me satisfazem. Quer dizer, me indicam uma direção. E nestes casos, sempre, o caminho mostrado é a religião. Não importa qual, mas o fato é que as pessoas estão habituadas a justificar a própria existência com base em um plano maior, um propósito ecumênico, onde não há diferenças de raça, sexo ou religião.

Mas ao pensar em meu lugar no mundo, penso primeiro no meu dia-a-dia. Será que o meu presente está de acordo com o que quero para meu futuro? Desculpe, não quero filosofar sobre a minha vida, mas sobre a vida de uma forma sóbria e despida de paradigmas religiosos e científicos. Às vezes penso que minhas atitudes têm andado muito na contramão do meu ideal de vida. Durante minha infância vivi momentos muitos difíceis e que me trouxeram muitos exemplos de vida, muitas lições. Foi muito difícil aceitar certas opniões sobre mim, principalmente sobre meu pai. Minha mãe soube muito bem como me ensinar que aquilo que sou é tão importante para mim mesmo do que para os outros. Isso me fez perceber que meu caráter depende não apenas de minha formação (como quase todo mundo pensa, e que ao ler isto concorda imediatamente). Minha vida depende muito mais de meus atos e de minhas omissões do que o que pensam sobre elas. Meu pai me deu grandes exemplos disso, principalmente porque em alguns momentos eu pensava que sabia que o que ele estava fazendo era certo ou errado. Não, não. Ele sabia, mesmo se enganando, que o que ele fazia estava certo ou errado. Este foi o exemplo que ele me deu. Não o poderia julgar simplesmente porque não estava em sua posição. Não estava vivendo seus tormentos, suas aflições, sua angústias. Não se pode julgar, nunca, se não está no mesmo lugar. Minha irmã também me ensinou muito, principalmente quando teve o primeiro filho. Quanta mudança, que maturidade. A menina transforma-se em mãe. Comecei a enxergar nela minha própria mãe e, quando já não mais distinguia, percebi que as pessoas não mudam. Elas se transformam. Você pode até não concordar muito comigo agora, mas é fato que a necessidade é uma via de mão única, aprendemos para o nosso bem.

Mas muitas vezes podemos nos enganar. É o efeito comoção, e é aqui que podemos nos distinguir. Podemos caminhar nas ruas e ver que as pessoas se movimentam passando por cima de tantas coisas que é até comum não enxergarmos o próximo. As pessoas enxergam, mas não vêem. Quantas pessoas precisam de ajuda? Quantas pessoas podemos ajudar doando o mínimo de nós mesmos? Não é exagero dizer que casos comoventes aparecem apenas na televisão. Claro, porque nunca vai nos acontecer mesmo. Você pensa assim? Então você não sabe qual é o seu lugar no mundo. Se olhe no espelho e veja se o que você é, é suficiente para quem precisa de você. Você está aqui porque outras pessoas precisam ou vão precisar de você. Não só porque vão precisar de você, mas porque você vai aprender com tudo isso.

Abraços,

Carlos Frederico Bastarz

Limitadas são as pessoas que sempre fazem uma opção entre várias.
(Marco Aurélio Silva Resende)

Pra Eu Não Me Perder é um curta-metragem com lançamento marcado para o dia 4 de Julho de 2009. Dirigido por Marco Aurélio Silva Resende e Bruno Brandão Daniel, o curta retrata uma viagem de carro por alguns povoados de Minas Gerais, passando pela cidade de Tiradentes. Este curta investiga anseios pessoais e a busca interna por uma resposta ao próprio ser e fuga dos próprios medos. “É um retrato da vida, desenhando as possíveis respostas às perguntas que fazemos ao nosso pensamento, um rascunho do nosso ser”. Vale a pena conferir!

Não se esqueçam, dia 4 de Julho de 2009, lançamento oficial do DVD!

Em breve, trailler no youtube e outros extras serão divulgados aqui também.

Abraços a todos, parabéns ao grande amigo Marco Aurélio e ao Bruno Daniel pela iniciativa e inspiração.

Confira outros links:
http://praeunaomeperder.blogspot.com/
http://foca-songs.blogspot.com/
http://aureliomasr.blogspot.com/
http://brunobdaniel.blogspot.com/

Carlos Frederico Bastarz.

Tudo muda quando a chama se apaga.
A luz que ilumina tudo entrega-se ao silêncio,
Encolhe-se dentro de si e já não mais afaga.

Tudo fica mudo quando o gigante se cala:
E todos estamos a sós quando sua sombra se esvaia.

As cores que compunham os seres
Desbotam com os batimentos:
Cada vez mais curtos,
Acolhem a passagem em silêncio.

E as faces que pareciam duras,
Austeras, tornam-se nuas.

E todos estamos a sós.
Somos parte de uma imensidão,
Que ecoa sob a voz da solidão.

Olhos meus discos e não me animo,
Olho numas fotos e busco os cantos.
Não me importa mais a cor de meus olhos,
Mas apenas por onde anda meu encanto.

O que aconteceu com minha vitalidade?
Parece que sobrevivo contra meus instintos!
Não procuro mais por mim mesmo,
Apenas percebo que não existo…

Às vezes acho e não encontro,
Por isso penso e me desencontro.
Várias vezes por mim mesmo,
Já não penso e me abandono.

Procuro nas fotos os dias felizes,
Busco os detalhes que não vivi.
Revejo minhas faces,
Não enxergo o que perdi.

Assim sigo, tentando me encontrar:
Tentado por mim mesmo,
Sem chegar a nenhum lugar…

Vejo como eram certas coisas,
Mudo-as de lugar.
Coloco meu pensamento longe,
Mas para apenas lhe alcançar.

Eu parecia feliz!
Simples por assim julgar.
Nada mais parecia sentir,
Muito distante daquele lugar.

E assim segui,
Com a impressão de que tudo ia passar.
Mas de passageiro a motorista,
Sem direção, não sabia navegar…

Como prevenir aquela situação?
Anos a lutar!
Parecia que encontraria um fim,
Mas um dia cedeu o seu lugar…

Muito triste tudo ficou.
Porque restou a saudade em seu lugar…
De meu pai restou a lembrança,
A imensa vontade de tudo amar.

 

A meu Pai.

Me conte tuas histórias,
para que eu possa decifrar teu destino.
Tuas palavras soam como um grito de alívio.

Me conte tuas venturas,
tuas mágoas, tuas penas,
pesados pecados – duras perdas.

Me conte, para que logo eu possa te dizer sim,
para que logo me aproxime da tua verdade,
para que logo tu me aproxime da tua vida…

Me conte tua história, mas não sejas dura:

O que me dizes quando apareces condenada sob
a sentença de quem não merece sofrer da tua culpa?

O que me dizes quando andas atormentada,
arrependida pelas ruas escuras,
perseguida pelos postes apagados
em uma noite tão escura?

O teu sorriso, não revela-me a verdade,
mas candura o amor de quem te procura,
de quem te acolhe, de quem te ama, Candura.

Foges à porta aberta, como um canto inacabado.
Acolhes a cor da rua, busca alento nas paredes escuras.
E mesmo assim vejo tuas roupas claras, o teu rosto ávido
e teu sorriso de candura.

———————————————————

Neste poema, Candura é uma personagem como muitas da vida real. É a representação da candura do próprio ser, em transformar a tristeza em alegria e dificuldade em harmonia.

Abraço!

Carlos Frederico Bastarz

O que na amizade encontramos de tá vívido e sóbrio que não o próprio amor?

Para muitos, a amizade não se realiza entre o coração de um e de outro, embora seja um sentimento, mas se realiza pela convivência, pelos encontros e pelas afinidades. Se para o amor há um sentimento maior que a amizade, como podemos dizer que a amizade é algo tão menos importante que o amor se a amizade não carrega consigo os desatinos do amor? Deve ser por isso que dizem (sobre o amor) “…que seja eterno enquanto dure…”-, na amizade, só não é eterno aquilo que não se realiza. Da breve história do amor, não sei dizer se tudo aquilo que os românticos dizem é verdade. Não se sabe o certo, entre o amor e a amizade, até que se vivencia a experiência amorosa e afetiva. Nada comparável à paixão ou até mesmo à amizade apaixonada: do breve amor, resta a amizade, que de resto mesmo, não tem nada.

Frugal sentimento.

Foi pela amizade de ontem que hoje virou amor.
Dos dias em que vivi,
Apenas naqueles em pude amar
Percebi que a amizade foi tudo o que perdi.

Desesperadamente procurei pelas pessoas
Que diziam versos bonitos na porta da estação:
Eram como flores no jardim,
Que se despedaçam pelo coração apaixonado
De quem, na amizade, busca um novo amor.

Um abraço!

Carlos Frederico Bastarz

O tempo é a breve história de um pensamento sobre a amizade.
O tempo é a breve história de um pensamento sobre o amor.
O tempo é a breve história de um pensamento sobre o tempo.

Breves são os pensamentos que encerram as mais embaraçosas situações quando não se pode escapar delas. Mais breve ainda é o amor, que de tão embaraçoso, não deixa a paixão se tornar amizade. Ou seria o contrário?

No breve cabem os pensamentos, os sentimentos, os desejos, o amor…

O breve da amizade é o tempo, que de tão curto, dura a vida inteira.

É breve porque é curto.

Breve são as escolha, que de tanto se pensar nelas, nos convencemos de que não há mais escolhas.

Do tempo ao tempo
Da loucura à vaidade
Da sede à ganância
Da bondade à esperança:
De todas as formas ao advento.

Por onde passa leva consigo
As memórias, a juventude,
As vitórias e as derrotas:
Por onde passa leva tempo.

Tempo para amar as pessoas,
Tempo para amenizar os ânimos,
Tempo para pensar,
Tempo para você.

É culpa do próprio tempo
É não da velhice;
É culpa do tempo
E não da juventude.
Na verdade, não é culpa do tempo,
Mas da vaidade que fazemos do tempo: juventude.

Só não é sua culpa
Aquilo que acontece com o tempo.
A sua vida é sua, culpa sua.
Não é do tempo a minha vontade,
Mas é do tempo a nossa amizade.

Frugal sentimento.

Da breve exatidão do tempo, tiramos a vida.
Da breve exatidão das palavras, tiramos os pensamentos.

Tudo é muito breve para se perder tempo.
O que não se pode dizer sobre a amizade, sem que se perca o breve sentimento do amor?
E o que não se pode dizer sobre o amor sem que se perca o breve sentimento da amizade?

Tudo cabe no breve:

A memória se encerra na lembrança,
As palavras se encerram nos pensamentos,
O amor se encerra na amizade.
Não que esta seja breve,
Mas é que é brevemente duradoura.

Tudo cabe no meu breve coração:

Cabe a paz de quem a procura,
Cabe o amor de quem se perdeu
Cabe a vida de quem a procura
Cabe a beleza de quem a perdeu

Abraço!

Carlos Frederico Bastarz

O que nos parece ser a história da vida, é apenas a história muito incompleta de um instante.

Se eu quisesse, não estaria aqui escrevendo para você algo que pensei ou que imaginei. Talvez fosse mais interessante se eu pudesse lhe dizer o que sonhei. Não que aquilo que eu sonho seja mais interessante ou mais importante que aquilo que penso, mas um sonho é muito mais intenso. Acho que os sonhos, na verdade, abrigam os sentidos, e que cada sentido abriga os outros cinco.

Se eu pudesse lhe dizer tudo o que sonho, não estaria lhe contando apenas uma história, mas um instante de mim mesmo. Nos sonhos, tudo parece durar uma eternidade, enquanto que um pensamento é algo tão rápido e misterioso que de fato há mais estudos sobre a sinapse do que sobre os sonhos. É mais simples ser simples do que simplesmente ser complicado. Ou algo assim, como tudo que penso.

Trata-se de alimentar algo que você quer, mas de uma forma mais honesta. As pessoas passam muito tempo da vida convivendo com uma parte de si mesmo que já se foi há muito tempo. Nos sentimos um pouco estranhos com isso, tentamos nos entender, nos explicar e, ao final, daquilo que somos menos os instantes que já se foram, o que sobra ainda somos nós mesmos. Se conseguirmos dar os mesmos passos que a vida, ela passará e não nos perderemos. Digo isso porque passamos tempo demais juntando pensamentos sem saber qual a importância que isso tem para os outros.

Na verdade, não sei nada sobre sonhos. Talvez o máximo que eu saiba seja sonhar, e isso é como muitas coisas que nós vivemos no nosso dia-a-dia. Se sabe muito sem se ter o que conhecer, muito se fala sem se ter o que falar, muito se conhece sem se ter o que conhecer e muito se vive sem se ter tempo para viver. Eu sei, isso também é paradoxal.

Sonhar é bem mais interessante do que imaginar e menos interessante do que acordar. Isso com certeza é um pouco engraçado. Se você mais imagina, – pouco sonha, pois tudo aquilo que deseja foi estilhaçado enquanto você estava acordado.

Bem mais simples seria se tivéssemos alguns instantes para vivermos momentos importantes de nossas vidas, do que ter muito tempo e não viver nada. Bem mais simples seria se tivéssemos alguns instantes para pensarmos na vida, do que ter muito tempo e não pensar em nada. Bem mais simples seria se tivéssemos alguns instantes para nos amarmos, do que ter muito tempo e não amar nada. Bem mais simples seria se nós nos déssemos tempo para viver a vida, do que ter que vivê-la em instantes.

E claro, é mais simples ser simples do que simplesmente ser complicado.

Por isso é que acho os sonhos mais intensos.

Tudo isso pode parecer inacabado, mas se você viver, não será incompleto!

Abraço!

Carlos Frederico Bastarz